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Circuito FPT/CIMA –
a herança do Grande Prémio TMN
O Grande
Prémio TMN e o Masters TMN nasceram em 1995,
quando eu estava no auge da minha carreira
jornalística ligada ao ténis e tive o
privilégio do Gabinete de Imprensa da João
Lagos Sports (JLS) designar-me ‘Press
Officer’ do circuito e do torneio de
encerramento, cargo que exerci até à edição
de 1999, inclusive.
Nutro, por
isso, um carinho muito especial por aquele
esforço da JLS em unificar uma série de
torneios que andavam espalhados pelo país
fora, muitas vezes sem qualquer lógica de
calendarização, prejudicando jogadores,
patrocinadores e até mesmo os briosos
organizadores que teimavam em remar contra
as dificuldades que todos sabemos existir
diante de quem comete a “loucura” de
oferecer prémios monetários em Portugal.
Reconheça-se
que a Federação Portuguesa de Ténis (FPT)
demitiu-se historicamente desse papel que
lhe deveria caber, limitando-se a agrupar
eventos e a inseri-los num calendário anual
que agora, felizmente, graças às novas
tecnologias, pode ser consultado na
Internet.
Ao criarem-se
objectivos comuns, como uma classificação
que no final do ano apurava os melhores para
o Masters – o saudoso ‘Ranking’ Jornal do
Ténis – e a existência de um ‘Bonus Pool’
que distribuía avultadas quantias pelos
melhor classificados dessa hierarquia, todos
os torneios ficaram a ganhar.
O pagamento
das bolas e das equipas de arbitragem, bem
como uma cobertura extensa do circuito no
Jornal do Ténis e a oferta gratuita de um
Gabinete de Imprensa, foram vantagens nada
desprezíveis, que valorizaram e facilitaram
o trabalho dos organizadores de torneios.
Aos poucos, o
Grande Prémio TMN foi-se impondo e o Masters
ainda mais, chegando-se muito rapidamente ao
ponto de o nível de jogo praticado, a
qualidade organizativa, a mediatização e a
adesão dos melhores tenistas nacionais ser
superior no Masters do que no Campeonato
Nacional Absoluto. Tal como disse o Leonardo
Tavares na cerimónia de entrega de prémios
de 2004, o Masters TMN já era o principal
torneio português a nível interno, uma
consequência de, por um lado, a JLS ter
efectuado um excelente trabalho, e de, por
outro, a FPT ter deixado cair o Campeonato
Nacional nas ruas da amargura.
A dada altura,
João Lagos teve a ideia de fundir o
Campeonato Nacional com o Masters e escrevi,
então, nas páginas do jornal Record, que
partilhava da sua opinião a 100%. Poderíamos
ter feito, naquela altura, uma competição
fantástica para o ténis nacional, desde que
a FPT não repetisse erros do passado e
soubesse negociar duramente os seus
interesses, não se vergando totalmente à JLS.
Mas tal como
sucedeu tantas vezes no passado, as duas
instituições andaram a puxar a corda cada
uma para seu lado sem chegarem a acordo.
Aliás, a FPT, sem tornar o Masters TMN num
evento proscrito, olhou-o sempre de soslaio,
como um concorrente do Campeonato Nacional
Absoluto, nunca lhe atribuiu pontos para o
seu próprio ‘ranking’ anual, o que sempre me
pareceu um erro estratégico crasso.
Verdade se
diga que, nesse aspecto, a JLS soube dar uma
chapada de luva branca e introduziu no
regulamento do Grande Prémio TMN a
obrigatoriedade de se jogar o Campeonato
Nacional Absoluto para quem quisesse
qualificar-se para o Masters TMN.
Mais
recentemente, a JLS propôs à FPT juntar o
Campeonato Nacional Absoluto ao Troféu RTP,
o chamado pré-qualifying do Estoril Open.
Uma vez mais, a ideia pareceu-me positiva
para o ténis nacional e passível de
conseguir algumas vantagens bem negociadas
para a FPT, que nunca teve qualquer palavra
a dizer no Estoril Open, o principal torneio
de ténis português. Foi uma oportunidade
perdida, porque, ao contrário do que possa
pensar-se, o Troféu RTP deixa muito a
desejar em vários sentidos e sairia
claramente reforçado pela união ao
Campeonato Nacional Absoluto. João Lagos
percebeu-o e estaria provavelmente
disponível a ceder em alguns aspectos que
pudessem beneficiar a FPT no Estoril Open.
Entretanto, no
início desta época, a JLS anunciou o fim do
Grande Prémio TMN e do seu Masters. Deixou
no ar a hipótese de fazê-lo renascer em
2007, sem nunca dar a certeza. Tal atitude
abriu, obviamente, o mercado a quem
desejasse tomar a iniciativa de
substitui-lo. Lembro-me, aliás, de, na
década de 90, João Lagos dizer-me que um dos
seus sonhos era poder aliviar um pouco a sua
pesada máquina de realizações em prol do
ténis português, mas que só poderia fazê-lo
quando alguém quisesse pegar na sua herança.
«Organizar torneios nacionais e publicar
revistas e jornais dedicados à modalidade
provocam prejuízos grandes, mas são
essenciais para o crescimento do ténis no
nosso país. Quem me dera que outros
quisessem fazê-lo». Várias vezes ouvi
declarações suas deste género e faziam, de
facto, sentido.
Sem João Lagos
não haveria, provavelmente, um ténis tão
profissionalizado como temos hoje em dia em
Portugal, quer ao nível dos jogadores, como
dos treinadores, árbitros, jornalistas e
promotores de eventos. Ele foi sempre o
primeiro a inovar, a acreditar e a apostar,
desbravando caminhos novos, mas é evidente
que, ao fazê-lo, abriu novas oportunidades
de negócio.
As críticas
negativas que têm sido efectuadas à FPT por
ter pegado no defunto Grande Prémio TMN e
transformá-lo no Circuito FPT/CIMA
parecem-me extremamente injustas.
A capacidade de, em poucos meses, reagrupar
os clubes e promotores, arranjar um novo
patrocinador para a modalidade e não deixar
cair um projecto de tão elevada importância
para o ténis português deveria ser elogiada.
A única crítica que faço à FPT é a
iniciativa pecar por tardia. De ter sido
preciso aprender, uma vez mais, com a JLS
como se deve fazer. Mas isso é algo que não
pode ser assacado à actual Direcção.
Numa avaliação
global, o Circuito FPT/CIMA é um factor de
desenvolvimento do ténis nacional,
independentemente dos ‘tennis elbow’ que
possa estar a provocar.
Já numa
avaliação na especificidade do seu
regulamento, há determinados pormenores que
me parecem deficientes, sem por isso
colocarem em perigo a sua importância, mas
como este artigo já vai longo, deixarei
essas questões para outras calendas.
Entretanto,
não se esqueçam de vir ao Luso Ténis durante
o Vale do Lobo Grand Champions Millennium
bcp, de 8 a 11 de Agosto, pois prometi
escrever um Court & Costura diário, à
semelhança da experiência positiva
verificada no último Estoril Open.
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