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COMPARAR
RECORDES MUNDIAIS
Rafael Nadal
fixou um novo recorde mundial de encontros
ganhos
consecutivamente em terra batida (60),
enquanto Roger Federer igualou outro
recorde mundial, o de encontros ganhos
consecutivamente sobre relva (41). Um
e outro têm valores completamente
diferentes.
O de Nadal, que superou o anterior máximo de
Guillermo Vilas, foi conseguido
nos maiores torneios do circuito de
pó-de-tijilo.
Vilas fê-lo com um título em Roland Garros e
outro do Open da Alemanha em
Hamburgo. Os restantes eram torneios de
menor dimensão. Nadal ultrapassou-o,
ao concretizar o seu novo registo com duas
Taças dos Mosqueteiros e outros
tantos troféus levantados nos Opens de Monte
Carlo e de Itália (Roma). Só
lhe faltou jogar (e vencer) em Hamburgo para
se tornar no primeiro jogador a
lograr o chamado 'Grand Slam' da terra
batida.
Já a nova marca de Roger Federer na relva
não passa de uma questão
estatística. Bjorn Borg cometeu a proeza
única na história da modalidade de
ser o único profissional com cinco títulos
consecutivos em Wimbledon, tendo
ainda atingido uma sexta final seguida.
Foi na catedral do ténis que "Ice-Borg"
somou os seus 41 encontros ganhos
consecutivamente sobre relva. Federer leva
"apenas" três triunfos seguidos
(o equivalente a 21 encontros) no All
England Club. Os outros 20 duelos
foram coleccionados nos seus quatro títulos
em Halle, um torneio que ainda
assume foros de secundário se comparado com
o do Queen's Club, entre os que
servem de preparação para Wimbledon.
Os jornalistas podem, portanto enfatizar o
que quiserem sobre os 41
'matches' ganhos pelo actual nº1 mundial em
relva, mas o próprio helvético,
numa entrevista concedida este ano ao jornal
L'Équipe, revelou ser um
profundo conhecedor da modalidade, ao dizer
que o recorde que ele persegue é
o tal de cinco sucessos seguidos em
Wimbledon, que considera ainda mais
importante do que os sete títulos alternados
de Pete Sampras no principal
torneio do Mundo.
Há uns anos, efectuou-se uma eleição junto
dos próprios jogadores
profissionais, sobre qual foi o principal
feito tenístico na Era Open. Entre
as várias hipóteses, figuravam grandes
proezas como o 'Grand Slam' de Rod
Laver em 1969, o 'Golden Slam' de Steffi
Graf em 1988, os seis anos
consecutivos de Pete Sampras como nº1
mundial, os nove títulos de singulares
de Martina Navratilova em Wimbledon, os seis
de Bjorn Borg em Roland Garros,
etc., etc., mas aquele que foi considerado o
maior de todos foram os tais
cinco Wimbledons seguidos, entre 1976 e
1981.
Federer sabe do que fala e será interessante
verificar se este ano será
capaz de aproximar-se dessa marca e juntar
um quarto título consecutivo de
Wimbledon ao seu brilhante palmarés. Sampras
ia bem lançado em 1996 (venceu
em 1993, 1994 e 1995), mas foi travado
naquele ano por Richard Krajicek nos
quartos-de-final. Iniciou nova série em
1997, 1998, 1999 e 2000, mas o
quinto título foi-lhe vedado por Federer nos
oitavos-de-final. Irá Federer
igualar o tetracampeonato de Sampras este
ano?
Já o recorde mundial de seis títulos (em
anos alternados: 1974 e 1975, 1978,
1979, 1980, 1981) de Bjorn Borg em Roland
Garros está ainda mais longe de
ser igualado. Como disse Sergi Bruguera
recentemente, os dois títulos de
Nadal já são muito bons (ele próprio fez o
bicampeonato em 1993 e 1994),
mais seis. "são outra fruta"!
Quando comparamos recordes mundiais,
deveremos saber olhar sempre para além
dos números. Por exemplo, Pete Sampras foi
nº1 mundial em seis anos
seguidos, reduzindo a pó os cinco anos de
Jimmy Connors, mas mesmo quando
Sampras completou o seu quinto ano à frente
da lista, já tinha sido maior do
que Connors.
O cálculo que a ATP fazia para definir no
'ranking' nos tempos de "Jimbo"
resultava de uma média pontual, que
perpetuava o imobilismo e quem estava no
topo da classificação, à semelhança do que
sucede, por exemplo, nos nossos
dias, no 'ranking' mundial de golfe.
Já "Pistol Pete" foi nº1 mundial numa altura
em que o então ATP Tour mudou
de cálculo, sendo o 'ranking' o resultado
dos 18 melhores resultados por
época. Este sistema promove mexidas na
tabela, de modo a provocar mais
alternâncias, rivalidades e torná-la mais
atraente ao público.
Manter-se no topo foi muito mais difícil
para Sampras do que para Connors.
Durante o seu reinado de nº1, de 1974 a
1978, inclusive, o texano ganhou
cinco torneios do 'Grand Slam'. Nos anos do
seu domínio como nº1, entre 1993
e 1998, o californiano impôs-se em 10
'majors', exactamente o dobro!
Moralidade da história, adulterando a famosa
"tirada" do "Animal Farm" de
George Orwell: os recordes mundiais de ténis
não são todos iguais, mas mesmo
quando parecem sê-lo, há sempre uns mais
iguais do que outros.
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