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A Imortalidade
de Borg e Amália
A boca de
Andres Gomez fugiu-lhe para a verdade
quando, questionado sobre as suas boas
hipóteses de se qualificar para a final,
respondeu «amanhã vou jogar com ele e o
vencedor passará à final».
O «ele» de que
falava o equatoriano é Thomas Muster. Ora
quando Gomez conversou ontem com os
jornalistas, Muster ainda não jogara com
Bjorn Borg, mas a sua vitória era um dado
adquirido.
O próprio Borg,
na conferência de Imprensa que deu na noite
de terça-feira, após ter derrotado Gomez,
admitiu que olha para «o Thomas Muster como
se fosse um júnior».
Escrevo esta
crónica antes da sessão nocturna, pelo que
não sei se o “mau presságio” de Borg e o
“prognóstico” de Gomez foram certeiros.
Que ninguém
tenha ilusões, aos 51 anos, Borg é o mais
velho das estrelas do BlackRock ATP Tour of
Champions.
Da geração de
ouro do ténis – Borg, Vilas, Connors e
McEnroe – só “Big Mac” tem rivalizado com os
novos veteranos. Mesmo assim, a final do
Vale do Lobo Grand Champions Caixa Geral de
Depósitos do ano passado foi elucidativa:
nem um “Super Mac” conseguiu, aos 47 anos,
provocar mossa nos 30 anos de Marcelo Rios.
Na minha lista
pessoal, Borg rivaliza com Laver, Sampras e
Federer pelo estatuto do nº1 de sempre, mas
ninguém veio a Vale do Lobo na esperança de
vê-lo ganhar o torneio.
Contudo, foi
ele quem mais público atraiu na primeira
jornada e todos rejubilaram com o seu
triunfo, logo no primeiro encontro oficial
que disputou nos últimos cinco anos.
Assisti ao
último espectáculo de Amália no Coliseu de
Lisboa. Os meus pais passaram a noite a
contar-me como a voz dela era uma sombra da
sua época áurea, mas delirei com o carisma e
o mistério da diva. Naquela noite tornei-me
amante do fado.
Quando vi Borg rodeado de
crianças, todas elas menores de 10 anos, de
papel e caneta esticados à espera do tão
desejado autógrafo, percebi que pouco
importa que o sueco já não seja «capaz de
jogar ao nível de quando era nº1 mundial»,
como ele próprio reconheceu. A aura e a
mística permanecem inalteráveis e transpõem
gerações.
* Hugo
Ribeiro é um dos mais conceituados
jornalistas de ténis em Portugal. É,
actualmente, o "Press Officer" do Vale do
Lobo Grand Champions, um
dos habituais comentadores de ténis da "Eurosport"
e colaborador de "A Bola do Ténis".
Já pertenceu ao Gabinete de Imprensa da João
Lagos Sports, no qual foi redactor principal
do anuário "Ténis Europeu". Hugo Ribeiro é
também
editor de "A Bola do Golfe" e "Press
Officer" do "PGA Portugal".
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