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Já pensamos em 2007
Foi em total
apoteose que terminou o Masters FPT/CIMA de
2006.
O ‘court’ montado no Pavilhão da Quinta dos
Lombos esteve apinhado de espectadores e,
mesmo sem esgotar, houve momentos com cerca
de 500 pessoas presentes em simultâneo. Os
jogadores sentiram-se acarinhados pelo
público e agradeceram-lhe nos discursos
proferidos nas cerimónias de entregas de
prémios.
A RTP fez um excelente trabalho, com 7
câmaras instaladas, permitindo uma
realização de luxo, que resultou na
transmissão em directo da final masculina e
em diferido da feminina. Ainda por cima, a
RTP mandou vir do Porto o seu cotado
comentador, Manuel Perez, valorizando ainda
mais o evento.
As finais, sem serem emotivas, tal as
superioridades manifestadas por Neuza Silva
e Leonardo Tavares, foram de boa qualidade
técnica, dada a boa réplica de Frederica
Piedade e Tiago Godinho. Também aí os
tenistas cumpriram a sua tarefa,
proporcionando um bom espectáculo ao público
presente e, sobretudo, aos telespectadores,
pouco habituados a ver ténis nacional tão
agressivo. Só por isso, já valeu a pena o
‘court’ especialmente montado para o
torneio.
Nestes artigos de opinião, tenho escrito
pouco sobre resultados, mas não queria
deixar de salientar o facto de Neuza Silva
ter juntado o título deste Masters FPT/CIMA
ao obtido anteriormente no Campeonato
Nacional Absoluto, sob dois pisos
completamente diferentes. Numa época que
começou com uma lesão grave, a “pupila” de
Paulo Lucas ainda se deu ao luxo de
conquistar títulos internacionais em
Alcobaça, Vlaardingen (Holanda) e Lérida
(Espanha), para além de ter sido vice-campeã
em Montemor-o-Novo e Ramat Hasharon
(Israel).
No torneio masculino, foi pena o campeão
nacional Frederico Gil ter chegado
completamente exausto – sobretudo no jogo
mental, uma das suas grandes forças –, mas
foi emocionante assistir à coroação de
tricampeão do Masters de Leonardo Tavares.
Após uma temporada minada por lesões, “Leo”
regressou em grande, somando quatro títulos
consecutivos no Circuito FPT/CIMA. É bom
vê-lo de volta e o capitão da selecção
nacional da Taça Davis, Pedro Cordeiro, deve
ter ficado bem satisfeito por poder contar
com ele de novo. O calvário tem sido tal
que, quando questionado sobre os seus
objectivos para 2007, o nortenho nem
pestanejou: «Não me lesionar»!
Mas nem tudo foram rosas nesta 12ª edição do
Masters do ténis português e três queixas
importantes foram expressas hoje.
Hugo Anão, o vencedor do Circuito FPT/CIMA,
ao terminar o ano como nº1 do respectivo
‘ranking’, chamou a atenção para o facto de
alguns torneios não estarem a cumprir o
Regulamento no que se refere à presença
obrigatória de equipas de arbitragem a
partir dos quartos-de-final.
Das duas uma, ou a FPT chega à conclusão que
os clubes não têm recursos financeiros que
lhes permitam custear as arbitragens
profissionais e, então, opta por retirar
essa obrigatoriedade do Regulamento do
Circuito, ou não tem outra saída senão
forçar os clubes a cumprir o que está
estabelecido. Alerto, contudo, para a
importância que esta obrigatoriedade tem
tido no desenvolvimento da arbitragem
profissional em Portugal, uma das melhores
do Mundo, sem qualquer tipo de chauvinismo.
Nesse sentido, foi com agrado que vi o
Presidente da FPT, Corrêa de Sampaio,
dirigir-se, mais tarde, a Hugo Anão e
assegurar-lhe que tinha tomado muita atenção
ao seu reparo.
Manuel de Sousa, o popular “Manecas”,
proprietário da mais numerosa e bem sucedida
escola de ténis do país, com cerca de 900
alunos entre o CIF (Restelo) e Monsanto,
andava visivelmente descontente por o seu
filho, Pedro Sousa, não se ter qualificado
para as meias-finais.
Segundo me confidenciou o especialista de
ténis do jornal Record, Manuel de Sousa,
treinador do filho, vai enviar um protesto
oficial à FPT, alegando que a juiz-árbitro
Mariana Alves lhe garantiu que Pedro Sousa
estava qualificado para as meias-finais,
numa altura em que o Director do torneio,
José Carlos Santos Costa, estava ao lado.
Como se sabe, mais tarde, à luz do
Regulamento, foi Vasco Antunes a seguir em
frente, em detrimento de Pedro Sousa.
Sobre esta polémica, há duas vertentes
diferentes a ter em conta. Por um lado, um
tenista profissional ou a equipa que o
rodeia (técnicos e agentes) não deveria
entrar para um torneio como o Masters FPT/CIMA
sem ter lido e compreendido o Regulamento. E
este é bem claro quando diz que, no caso de
haver um empate entre três jogadores com o
mesmo número de encontros ganhos e perdidos
na primeira fase de grupos (‘Round Robin’),
se todos os jogadores tiverem disputado três
encontros, o critério de desempate é a
diferença de ‘sets’ ganhos e perdidos. E se
mesmo assim se mantiver um empate, o
critério passa a ser entre a diferença de
jogos ganhos e perdidos. Foi exactamente
este último que ditou a eliminação de Pedro
Sousa. O face-a-face (‘head-to-head’) é um
sistema de desempate que só é usado quando o
empate se verifica entre dois jogadores e
não entre três, como foi o caso.
Vale a pena sublinhar que é exactamente este
sistema de desempate que vigora na Masters
CUP ATP e no Sony Ericsson WTA Tour
Championships, os Masters masculino e
feminino.
Mas por outro lado, e este é o reverso da
medalha, o/a juiz-árbitro e o Director de
torneio só deverão emitir “sentenças” sobre
os apuramentos para as meias-finais quando
tiverem uma certeza absoluta.
O ‘Round Robin’ não é fácil. Cobri como
jornalista 11 edições consecutivas do
Campeonato do Mundo do ATP Tour/Masters Cup,
fui ‘Press Officer’ de 5 edições seguidas do
Vale do Lobo Grand Champions Millennium bcp
e, este ano, ao comentar para o Eurosport o
Sony Ericsson WTA Tour Championships, voltei
a deparar-me com as armadilhas deste
complexo e aliciante sistema.
Jorge Dias, o melhor árbitro português de
sempre, juiz-árbitro do torneio de Vale do
Lobo, tem a preocupação de, todos os anos,
questionar o representante do ATP Tour of
Champions sobre eventuais alterações de
interpretação do sistema de desempate para
evitar discussões e dúvidas dos “craques”
que anualmente nos visitam no Algarve.
Portanto, Pedro Sousa deveria conhecer o
Regulamento do Masters FPT/CIMA e não se
fiar apenas na palavra de um árbitro ou
dirigente. João Cunha e Silva, que chegou a
receber um prémio de profissionalismo da
revista francesa Tennis Magazine, era exímio
em discutir regras e regulamentos com
árbitros e dirigentes. É esse o exemplo a
seguir. Quanto a Mariana Alves, não sei se
garantiu ou não a Pedro Sousa que estava nas
meias-finais, mas se o fez terá de
precaver-se no futuro. Mariana Alves é um
dos maiores vultos mundiais da arbitragem,
mas enfrenta poucas vezes a tarefa de ser
juiz-árbitro de um torneio de ‘Round Robin’.
É importante familiarizar-se com as
vicissitudes do sistema.
A terceira e última situação menos famosa de
hoje foi o facto de ter sido publicado em O
Jogo que Hugo Anão tinha ganho o Circuito
FPT/CIMA, enquanto em A Bola, o Jornal
Oficial do evento, vinha como nº1 de 2006
Frederico Gil. A informação correcta é Hugo
Anão e veja-se, neste caso, o exemplo
Frederico Gil – hoje, perguntei-lhe se ele
teve alguma dúvida e o campeão nacional
respondeu logo que não, pois tinha lido o
Regulamento e sabia que não tinha disputado
o número mínimo de torneios exigido pelo
Regulamento do Circuito para poder almejar
ao bónus de 6.000 euros atribuído ao nº1.
A jornalista Célia Lourenço, de A Bola,
explicou-me que leu o regulamento, mas
ficara com uma dúvida, sendo informada pela
Direcção do torneio que seria Gil o vencedor
do Circuito.
Estas três situações, a falta de árbitros em
alguns torneios, o sistema de desempate na
primeira fase de grupos do Masters e o
apuramento do nº1 do ‘ranking’, não mancham
em nada o enorme sucesso organizativo do
Circuito FPT/CIMA e do seu Masters, mas são
alertas a exigir um cuidado redobrado no
futuro.
Aliás, por falar em futuro, o
Director-técnico nacional, Paulo Lucas,
informou-me hoje que já estão a ser
preparadas algumas alterações ao Regulamento
do Circuito FPT/CIMA para 2007. É sinal que
a equipa da FPT não dorme sobre os louros
conquistados e procurará melhorar o bom
produto que tem entre mãos.
E como sempre preferi valorizar os aspectos
positivos da vida em relação aos negativos,
creio que nós, todos os adeptos da
modalidade, deveremos congratular-nos por a
CIMA ter anunciado a renovação do
patrocínio. Vamos ter mais e melhor Circuito
em 2007.
Se não nos encontrarmos antes por aí, ou por
aqui, no Luso Ténis, envio a todos os
desejos de um Santo Natal.
* Hugo
Ribeiro é um dos mais conceituados
jornalistas de ténis em Portugal. É,
actualmente, o "Press Officer" do Vale do
Lobo Grand Champions, um
dos habituais comentadores de ténis da "Eurosport"
e colaborador de "A Bola do Ténis".
Já pertenceu ao Gabinete de Imprensa da João
Lagos Sports, no qual foi redactor principal
do anuário "Ténis Europeu". Hugo Ribeiro é
também
editor de "A Bola do Golfe" e "Press
Officer" do "PGA Portugal".
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