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Corrida contra o tempo
Tommy Haas e
Nicolas Kiefer nunca ganharam uma Taça Davis
nem sequer chegaram à final. A situação é,
no mínimo, estranha para jogadores que já
foram, respectivamente, nº2 e nº4 do
‘ranking’ mundial e que, ainda por cima,
pertencem à mesma geração.
Carl-Uwe Steeb
nunca integrou o ‘top-ten’ mas ganhou por
três vezes a “Saladeira”, ao lado de, ora
Boris Becker, ora Michael Stich.
Mais tarde, já
“reformado”, aceitou o cargo de capitão da
selecção alemã e liderou Haas e Kiefer na
Taça Davis durante três anos, mas é uma
experiência que não lhe deixou quaisquer
saudades.
«Ser capitão
da Taça Davis envolve um prestígio enorme,
mas é muito frustrante porque, na realidade,
não temos qualquer poder, qualquer
influência na preparação dos jogadores e no
seu calendário. Na verdade, só estamos com
eles durante aquela semana de cada
eliminatória, mesmo se andarmos pelo Mundo
fora a vê-los jogar nos principais torneios
do circuito».
Steeb, que
ganhou os dois primeiros encontros no Vale
do Lobo Grand Champions Millennium bcp, e
que, nesta noite de quinta-feira, irá
decidir frente a John McEnroe o acesso à
final, para saber quem defrontará Marcelo
Rios, concorda que «a Alemanha deveria ter
feito muito melhor na Taça Davis nos últimos
anos», mas coloca imediatamente o dedo na
ferida: «Falta espírito de equipa, não por
parte de Tommy Haas, que até é um jogador de
colectivo, mas da parte de Kiefer. A
selecção alemã da Taça Davis deveria
aprender o que é espírito de grupo com a
equipa nacional de futebol, a ‘mannshaft’».
A declaração
de ‘Charlie’ é curiosa, vindo de alguém que,
na selecção, teve de aprender a lidar com
egos desmesurados como os de Stich e,
sobretudo, Becker, mas Steeb garante que
«apesar disso», naquele tempo, «as coisas
eram um pouco diferentes, porque o capitão
era o Nikki Pilic e ele promovia estágios ao
longo do ano nos quais todos nos reuníamos».
No fundo, o
que Steeb quis dizer foi que, na Taça Davis,
como em qualquer selecção, o espírito de
equipa depende muito da capacidade de
liderança. A analogia com o futebol foi
feliz e, em Portugal, os próprios
detractores de Scolari rendem-se à sua
habilidade em gerir os egos das estrelas da
selecção portuguesa de futebol (e não são
assim tão poucas), sem nunca colocar em
dúvida sobre quem é o líder. Steeb nunca
soube impor-se como Pilic e saiu pela porta
pequena.
Thomas Muster
também assumiu em 2003 o posto de capitão da
equipa austríaca da Taça Davis e, tal como
Steeb, admite sentir uma grande «desilusão
pela pouca força do cargo».
Mas, como
sempre foi um lutador e não está habituado a
baixar os braços, mantém-se à frente da
selecção e acredita que poderá ajudar a
melhorar o ténis no seu país.
Antigo nº1
mundial e campeão de Roland Garros, o ex-rei
da terra batida, que considera «uma honra
ser comparado a Rafa Nadal», sentiu mais
facilidade do que Steeb em afirmar-se como o
líder natural da equipa e já conseguiu
«tomar conta do programa juvenil da
Federação austríaca».
Thomas Muster
lamenta «que as mudanças levem tanto tempo a
fazer-se» e que «não haja um grande jogador
austríaco neste momento, o que dificulta a
tarefa», mas com a relativamente pobre
matéria-prima de que dispõe, tem logrado o
milagre de manter-se, ano após ano, no Grupo
Mundial da Taça Davis, entre as maiores
potências do Planeta.
Nesse sentido,
Jurgen Melzer, Oliver Marach e Stefan Koubek,
que nem figuram no actual ‘top-70’, têm dado
lições a Haas e, principalmente, a Kiefer,
dois jogadores que já começaram a correr
atrás do tempo. «Agora, começam a olhar para
trás, vêm os anos a passar e querem fazer
algo de importante na Taça Davis, mas temo
que seja tarde demais», afiançou Steeb.
Como muito bem sabem os
“monstros sagrados” das raquetas presentes
no Vale do Lobo Grand Champions Millennium
bcp, o tempo é cruel e no ténis ainda mais.
«Sei que tenho condições técnicas de jogar
no circuito principal, mas também sei o que
isso significa em termos de disponibilidade
física e mental e já não sou capaz, nem
quero fazê-lo», frisou Marcelo Rios, o nº1
mundial de veteranos, de apenas 30 anos. O
tempo nunca volta para trás.
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